11 coisas que uma mãe de muitos filhos quer que você saiba

Ter uma família grande, como nos tempos das nossas avós, pode parecer algo impossível para muitos casais, seja pelo alto custo de vida ou pela dificuldade em organizar a rotina de uma família com tantos membros.

Algumas mulheres, no entanto, têm andado na contramão das casas com filhos únicos e realizado o sonho de dar à luz várias crianças.

A tarefa não é fácil, mas também não é impossível, como mostram duas mães, que revelaram como organizam a rotina da casa e aproveitam - sem crise - o que a maternidade em grandes doses tem de melhor.

Aqui, elas contam algumas experiências e verdades que envolvem o dia a dia de um lar cheio de gente e de amor.

1. Uma família grande nem sempre está nos sonhos de toda mãe de muitos filhos

Ao contrário do que muitos pensam quando veem a casa da publicitária Fernanda Martins Moraes cheia de crianças, ela não planejou ter muitos herdeiros. “Uma família grande não esteve sempre nos meus sonhos, mas a ideia começou a surgir para mim de repente. Depois do primeiro filho - que foi muito desejado - comecei a pensar como seria bacana ter mais filhos!”, conta a mãe de Arthur (5), Matheus, Maria e Lucas (1) e madrasta de Kaique (18 anos). Na foto abaixo, toda a turma, incluindo o marido, Oscar Henrique Escate Zarate, designer gráfico.

2. A carreira não é a única forma de satisfação pessoal

Algumas mães se sentem culpadas por deixar o filho após a licença-maternidade e acabam optando por abandonar a carreira para cuidar da prole. Essa foi a difícil decisão tomada por Renata Campos Desta, professora, 42 anos, mãe de Isadora (13), Luiza (10), Ingrid (8), Victor, Henrique e Maysa (1 ano).

“Não foi fácil lidar com as críticas. Muitas amigas disseram que eu estava me anulando. O que elas não entendem é que ser mãe me dá uma satisfação muito maior do que qualquer trabalho. Eu me sinto totalmente realizada. Talvez no futuro eu volte a trabalhar, mas agora só quero curtir a infância dos meus filhos e ser a mãe que sempre sonhei ser e que meus filhos merecem ter”, diz.

Ela confessa que a decisão afetou muito a renda da família, mas eles aprenderam a viver com menos. “Eu não preciso trocar de carro todo ano para ser feliz”, avalia.

3. Nem sempre é preciso abrir mão do trabalho para cuidar dos filhos

Conciliar carreira e maternidade é o desafio que toda mulher enfrenta após a chegada dos herdeiros. E se um filho gera preocupação, imagine quando a turma é grande? Fernanda, por exemplo, reconhece que a maternidade afetou sua carreira.

“Hoje trabalho menos, tive que abrir mão de algumas coisas e não consigo mais me dedicar em tempo integral à vida profissional como fazia antes. Mesmo assim, não mudaria nada. Acredito que vale a pena. O primeiro ano deles foi mais complicado. Agora já estão todos na escola e tenho ajuda de babás, que tornam possível que eu continue trabalhando fora. Amo ser mãe, mas também amo trabalhar”, conta Fernanda.

4. A organização faz parte da rotina de uma família grande

Administrar o dia a dia de uma família com muitos integrantes não é tarefa simples, mas a missão se torna possível com a ajuda de um bom cronograma. “Na minha casa existe uma rotina bem organizada com algumas planilhas, listas, agendas. Tem dia certo para fazer supermercado, dia de quem leva e quem busca na escola... Mesmo assim, muitas vezes imprevistos acontecem e as coisas saem um pouco da rotina”, conta Fernanda.

Para ela, o segredo para não deixar nenhum compromisso de lado é colocar tudo na ponta do lápis e compartilhar com os integrantes da família. Na casa da Renata, uma lousinha presa na parede da cozinha a ajuda a organizar os horários. “Faço a tabela da semana com todos os horários das crianças e compromissos da família. Deixando tudo bem visível, os pais não esquecem nada”, sugere.

5. Disciplina se torna essencial em uma casa com muitas crianças

Brincar o dia todo é bom, mas criança tem que ter horário para comer, dormir, fazer lição ou tomar banho. Isso garante não só que todas as tarefas sejam feitas, mas também que eles se acostumem a seguir ordens.

“A regra é manter os horários estabelecidos para almoço, banho e sono, especialmente durante a semana. As crianças pequenas são mais fáceis de seguir a rotina e lidam superbem. Com o mais velho tenho mais dificuldade, principalmente em fazê-lo dormir no horário!”, confessa Fernanda.

Já Renata conta que só aprendeu a impor disciplina depois que a família aumentou. “Quando eu tinha apenas uma filha podia deixar as rédeas mais frouxas. Ela espalhava brinquedos, fazia o que queria e eu permitia. Agora já não posso abrir mão da disciplina. A bagunça de um é fácil de arrumar, mas e a bagunça de seis?”

Isso não significa, no entanto, que os pequenos não possam se divertir. “Eles são crianças e eu estimulo todo tipo de brincadeira saudável, mas também ensino que manter a casa arrumada é responsabilidade de todos”, disse.

6. Aquela imagem da mesa cheia é rara na maioria das famílias – sejam elas grandes ou pequenas

“As pessoas veem que somos uma família grande e sempre ficam imaginando que fazemos todas as refeições juntos à mesa, como uma família de comercial de margarina. Mas isso acontece pouco, pois cada um tem uma rotina diferente e as crianças têm horários específicos para comer. Felizmente nos finais de semana reunimos a trupe toda e fazemos reuniões deliciosas”, gaba-se Renata.

7. Mesmo em uma família grande é possível manter uma alimentação saudável

“Na minha casa, a alimentação das crianças é bem saudável. Refrigerante, por exemplo, não entra. Só libero chocolate depois dos 2 anos e com moderação. Procuro encher as refeições deles de vegetais e frutas e fazê-los experimentar coisas novas sempre. Apesar disso, não me considero radical”, conta Fernanda.

Algumas guloseimas e lanches são liberados para o mais velho, mas apenas nos finais de semana e sempre com moderação. A publicitária acredita que o segredo para garantir uma alimentação saudável está no planejamento do cardápio da semana, sempre priorizando a variedade de alimentos. Uma boa feira também é importante para manter a casa abastecida de frutas e legumes.

Para Renata, os filhos mais novos seguem o exemplo dos mais velhos e isso ajuda na educação alimentar. “Os pequenos comem os legumes porque veem os irmãos comendo. Já os mais velhos gostam de servir de exemplo e se sentem responsáveis pela alimentação dos menores. No fim, todos acabam comendo direitinho”, diz.

8. Criança pode – e deve – ajudar na limpeza e na organização da casa

Tratar o filho como um pequeno imperador, que é servido o tempo todo e não tem nenhuma atribuição, não faz bem nem para os pais nem para a criança. Inserir os pequenos aos poucos na divisão das tarefas da casa é saudável para o desenvolvimento deles e ainda diminui a carga sobre os ombros dos pais.

“Meus caçulas ainda são muito pequenos. Com o Arthur, de 5 anos, estou começando a ensinar coisas, como tirar o prato da mesa e levar à pia ou colocar as roupas sujas no cesto. O Kaique, de 18, não é mais criança e já ajuda mais. Ele arruma a cama, lava louça e até a cuidar do Arthur”, conta Fernanda.

9. Ter muitos filhos significa lidar constantemente com crises por causa da diferença de idades

Uma mãe de muitos filhos está mais do que acostumada a lidar com brigas. “O mais velho quer sempre atenção, tem programas diferentes dos menores. Temos que nos revezar para dar atenção a todos e tentar achar programas que agradem a todos”, explica Fernanda.

Ela conta ainda que adota a estratégia de envolver o filho mais velho nos cuidados com os mais novos. Assim, ele se sente responsável e útil. 

Renata ressalta que apesar das briguinhas, a relação entre os irmãos pode ser muito boa. “Ensinamos nossos filhos a protegerem uns aos outros. Eles brigam, como toda família, mas são unidos e deixam claro que no fundo se amam muito”, revela.

10. Viajar pode se tornar uma verdadeira odisseia

Viagens em família se tornam cada vez mais raras quando se tem muitos filhos. Isso porque organizar até um simples passeio exige muito planejamento. “Viajamos pouco, pois as crianças ainda são muito pequenas e realmente é bem trabalhoso viajar com todos. Para passear, precisamos sempre de 2 carros. Um maior de 7 lugares, com 4 cadeirinhas que comportam as crianças e outro para levar os carrinhos”, revela Fernanda.

Renata conta que faz uma viagem grande em família a cada 18 meses apenas, pois o evento requer muito planejamento. “É realmente caro viajar com muitos filhos e até o menor passeio exige muitas listas e planilhas, pois não dá para esquecer a papinha de um ou o brinquedo preferido de outro”.

A família toda escolhe o próximo destino e eles economizam juntos para garantir a viagem. Quando chega a data, os mais velhos ajudam na arrumação das malas e supervisionam dos pequenos durante os passeios. Os pais listam em aplicativos os itens essenciais para garantir que nada fique para trás.

11. As babás ou empregadas ajudam muito, mas não fazem todo o trabalho

“Tenho uma empregada que ajuda a cozinhar e limpar a casa. Mas sou eu quem monto o cardápio e faço as compras. Tenho também duas babás que são essenciais, pois trabalho fora. Elas ajudam com tudo relacionado às crianças - desde banho, comida, brincar até arrumação de quarto e roupas. Eu não conseguiria sozinha, meus pais e sogros moram longe”, conta Fernanda.

Apesar da ajuda, a publicitária não dispensa os cuidados com os filhos e acompanha de perto a rotina das crianças.

Por dentro dos cursos para gestantes

É natural que a chegada de um filho, junto com muitas alegrias e comemorações, traga algumas apreensões aos pais, sejam eles de primeira, segunda ou de muitas outras viagens.

Dúvidas que vão desde “como segurar o bebê?” a “como mantê-lo livre de doenças?” ficam pulando na cabeça das mulheres – e exigindo respostas. Por isso, muitas delas optam por participar de cursos de gestantes, a fim de se preparar melhor para o momento.

Orientadora de cursos para gestantes há 35 anos, com experiência de 4.330 partos normais realizados, a obstetriz Maria Augusta de Freitas, do Hospital Pró-Matre Paulista, sabe que a gestação é um período grandioso, mas cercado por muitas dúvidas e ansiedade.

“Apesar de ser um processo fisiológico, a mulher, de uma maneira geral, não se sente preparada para o parto, e preocupa-se com a volta para casa com o bebê sob sua responsabilidade”, diz.

De acordo com ela, as três maiores preocupações são:

  1. o parto
  2. não ser capaz de amamentar
  3. não saber como cuidar do bebê

Para responder essas e outras questões é que foram pensados alguns cursos específicos para os futuros papais, geralmente conhecidos como cursos para gestantes.

Nesses encontros, orientar e fortalecer a capacidade de gestar, dar à luz e cuidar do próprio filho(a) são os grandes objetivos.

Temas abordados

De uma forma geral, os cursos tratam de assuntos que permeiam todo o final da gestação: quando ir para a maternidade, o trabalho e os tipos de parto, a amamentação, cuidados com o recém-nascido em casa e a participação do pai em todo o processo.

Os cursos não são longos – geralmente acontecem em um fim de semana – e são conduzidos por obstetras, enfermeiros e pediatras, nos próprios hospitais. Mas cada curso tem uma duraçao específica e é interessante pesquisar bastante para ver qual se adequa mais a você e ao seu ritmo!

Uma boa época para participar do encontro é por volta do quinto ou sexto mês de gravidez, período em que as dúvidas começam a aparecer com maior intensidade.

As experiências das mães

Foi pensando em ter uma “experiência completa” que a administradora Mariana Gonçalves Nakayma, 30 anos, mãe do Davi, de 9 meses, optou por um curso. “O Davi é meu primeiro filho e quando a gente tem uma gestação muito desejada, quer fazer tudo!”, comenta.

Para ela, nessa nova fase, tudo é válido. “Curso, livro, blog, revista… tudo! Fiz (o curso de gestante) para curtir a fase, trocar experiências, receber dicas e também me divertir”, comenta.

Mariana avalia que a experiência foi superválida, ainda que tenha pesquisado e aprendido bastante antes do encontro, que realizou no sétimo mês de gestação.

“Sempre descobrimos informações bem interessantes sobre o parto e anestesia, dermatites de recém-nascido, os primeiros dias em casa, dicas de banho e até a melhor forma de segurar um xampu. São dicas que, na hora do aperto, fazem a diferença!”, afirma.

A abordagem sobre amamentação foi um capítulo à parte. “Eles reforçam muito a importância do aleitamento e eu fiz de tudo para amamentar meu filho até os 6 meses – e consegui!”, relembra, feliz.

A advogada Tatiana Barbosa, 37 anos, mãe da Ana, de 10 meses, procurou um curso de gestante porque gostaria de ter alguma noção básica de como cuidar de um recém-nascido.

Acabou aprendendo técnicas de relaxamento, como dar banho, trocar fralda, como amamentar, como verificar se o bebê está com frio ou calor, entre outras questões.

“As palestras foram muito esclarecedoras. Por exemplo, o neonatologista explicou todo o procedimento que é feito com o bebê assim que é retirado do útero, quais profissionais estariam presentes na hora do parto. Isso deu um grande alívio”, comenta.

Tatiana também recomenda fortemente que outras gestantes façam o curso. “A chegada de um bebê é muito impactante, dá uma sensação enorme de impotência. O curso pode não solucionar todos os problemas, mas dá um norte”, garante.

O que procurar

A obstetriz Maria Augusta recomenda que, ao buscar um curso, as gestantes estejam atentas à formação dos profissionais que vão ministrá-lo, procurando pessoas da área, com formação pertinente aos assuntos desenvolvidos.

“Todos os tópicos são importantes para que a mulher e seu companheiro saiam dessa experiência fortalecidos e acreditando em suas capacidades naturais de serem mãe e pai”, resssalta.

A participação do futuro papai no curso, aliás, também é importantíssima, segundo Maria Augusta. “Além de fazer com que a mãe se sinta mais segura, ele pode dividir com ela as responsabilidades, desde a escolha da maternidade, até a decisão da volta para o trabalho”, ilustra.

Para Mariana, a participação do marido, o também administrador Santiago Correia Nakayama, de 29 anos, foi o ponto alto do negócio.

“Mãe é mãe e, fazendo curso ou não, você vai cuidar do seu filho por puro instinto. Mas o pai demora um pouco mais para entender a paternidade. Eu acho que o curso é fundamental para eles entrarem nesse universo, ouvirem coisas que jamais ouviram, entenderem o parto, o pós-parto, a amamentação, o banho, a saúde emocional da mãe, a depressão pós-parto, ou seja, coisas que podem ou que vão acontecer com um recém-nascido”, exemplifica.

Vale fazer de novo?

Para as mamães e papais que já fizeram o curso e esperam um novo bebê, é bom repetir a dose somente se o primeiro parto aconteceu há muitos anos, se souberem de alguma condição especial do feto que inspire cuidados específicos ou, ainda, se estiverem num segundo casamento e para um dos dois se trata do primeiro filho.

Mesmo depois de fazer o curso, caso a gestante ainda não se sinta ainda preparada para o parto, Maria Augusta recomenda que ela aproveite o pré-natal para esclarecer dúvidas. “A confiança no profissional é importante e fará com que ela se sinta mais preparada”, lembra.

“Conforta, alivia, você ri, você chora e você percebe que não está só, que não é a única naquela situação, que está todo mundo pensando a mesma coisa!”, acrescenta Mariana.

Mas depois de tantos ensinamentos, tem alguma aprendizagem que o curso não pode promover? “Aprender a ser mãe, jamais... Só tendo um filho mesmo!”, brinca Mariana, aos risos.

As mil e uma acordadas noturnas de uma mãe!

Eu me lembro direitinho de uma das maiores mentiras que me contaram sobre a maternidade: "Fique tranquila, que com 3 meses sua filha vai dormir a noite toda!". Eu não ouvi isso de apenas uma pessoa: ouvi de várias mulheres, que são mães de outra geração (aliás, seus filhos têm hoje a minha idade). 

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Não sei se nossas crianças são completamente diferentes do que fomos quando bebês, mas a verdade é que o tempo passa, e eu continuo me perguntando quando dormirei noites inteiras (por algumas semanas ininterruptas, já estaria valendo!).

Minha filha tem 4 anos de idade, e vira e mexe me dá um trabalhão durante as madrugadas. Viajamos recentemente, ficamos no mesmo quarto, e, quando retornamos, minhas noites viraram ao avesso: a pequena tem me chamado uma média de cinco vezes a cada madrugada

Conseguem imaginar a minha (não) disposição para executar qualquer tarefa no dia seguinte? Eis um exemplo do que tem acontecido por aqui:

Acordada 1:

- Mãe, estou com sede, quero água.

- Filha, dorme que é madrugada. Não precisa tomar água, senão você vai ter vontade de fazer xixi.

- Mas, mãe, minha boca está muito seca (aos prantos!), eu não vou conseguir dormir assim!

- Está bem, Catarina, eu trago um copo de água.

E, ao chegar com o bendito copo, é óbvio que a pequena só toma um gole (UM!) e diz que está satisfeita!

 

Acordada 2:

- Mãe, eu estou com frio. MUITO frio!

- Você está coberta, filha?

- Não!

- Então puxa a coberta e se cobre!

- Mas eu não consigo! Não fica confortável!

E aí lá vai a mãe, para cobrir do jeito "gostoso".

 

Acordada 3:

- Mãe, eu estou com medo!

- Medo, Catarina? De quê?

- De leão. Acho que tem um no meu quarto!

- Catarina, dorme! Já!

Silêncio... Fico me perguntando se o leão a comeu...

 

Acordada 4:

- Mãe, eu quero ir para a sua cama!

- Catarina, já conversamos que não pode. Você já é uma mocinha, e vai dormir aí no seu quarto.

- Mas, mãe, eu não gosto de dormir sem você!

Aí a mãe levanta, faz um carinho, espera a pequena dormir e volta para o que restou de sua noite de sono.

 

Acordada 5:

- Mãe!

Aí quem responde é o pai (porque se a mãe falar qualquer coisa, sabe que vai ter um ataque):

- Catarina, eu não quero mais um pio nessa casa até amanhã de manhã! Combinado?

 

Óbvio que no resto da noite a tranquilidade reina na casa! Porque mãe é mãe; e pai é pai. E tem horas que só o pai resolve a questão!

 

Por dentro dos cursos para gestantes

Dúvidas que vão desde “como segurar o bebê?” a “como mantê-lo livre de doenças?” ficam pulando na cabeça das mulheres – e exigindo respostas. Por isso, muitas delas optam por participar de cursos de gestantes, a fim de se preparar melhor para o momento.

Orientadora de cursos para gestantes há 35 anos, com experiência de 4.330 partos normais realizados, a obstetriz Maria Augusta de Freitas, do Hospital Pró-Matre Paulista, sabe que a gestação é um período grandioso, mas cercado por muitas dúvidas e ansiedade.

“Apesar de ser um processo fisiológico, a mulher, de uma maneira geral, não se sente preparada para o parto, e preocupa-se com a volta para casa com o bebê sob sua responsabilidade”, diz.

De acordo com ela, as três maiores preocupações são:

  1. o parto
  2. não ser capaz de amamentar
  3. não saber como cuidar do bebê

 

Para responder essas e outras questões é que foram pensados alguns cursos específicos para os futuros papais, geralmente conhecidos como cursos para gestantes.

Nesses encontros, orientar e fortalecer a capacidade de gestar, dar à luz e cuidar do próprio filho(a) são os grandes objetivos.

Temas abordados

De uma forma geral, os cursos tratam de assuntos que permeiam todo o final da gestação: quando ir para a maternidade, o trabalho e os tipos de parto, a amamentação, cuidados com o recém-nascido em casa e a participação do pai em todo o processo.

Os cursos não são longos – geralmente acontecem em um fim de semana – e são conduzidos por obstetras, enfermeiros e pediatras, nos próprios hospitais. Mas cada curso tem uma duraçao específica e é interessante pesquisar bastante para ver qual se adequa mais a você e ao seu ritmo!

Uma boa época para participar do encontro é por volta do quinto ou sexto mês de gravidez, período em que as dúvidas começam a aparecer com maior intensidade.

As experiências das mães

Foi pensando em ter uma “experiência completa” que a administradora Mariana Gonçalves Nakayma, 30 anos, mãe do Davi, de 9 meses, optou por um curso. “O Davi é meu primeiro filho e quando a gente tem uma gestação muito desejada, quer fazer tudo!”, comenta.

Para ela, nessa nova fase, tudo é válido. “Curso, livro, blog, revista… tudo! Fiz (o curso de gestante) para curtir a fase, trocar experiências, receber dicas e também me divertir”, comenta.

Mariana avalia que a experiência foi superválida, ainda que tenha pesquisado e aprendido bastante antes do encontro, que realizou no sétimo mês de gestação.

“Sempre descobrimos informações bem interessantes sobre o parto e anestesia, dermatites de recém-nascido, os primeiros dias em casa, dicas de banho e até a melhor forma de segurar um xampu. São dicas que, na hora do aperto, fazem a diferença!”, afirma.

A abordagem sobre amamentação foi um capítulo à parte. “Eles reforçam muito a importância do aleitamento e eu fiz de tudo para amamentar meu filho até os 6 meses – e consegui!”, relembra, feliz.

A advogada Tatiana Barbosa, 37 anos, mãe da Ana, de 10 meses, procurou um curso de gestante porque gostaria de ter alguma noção básica de como cuidar de um recém-nascido.

Acabou aprendendo técnicas de relaxamento, como dar banho, trocar fralda, como amamentar, como verificar se o bebê está com frio ou calor, entre outras questões.

“As palestras foram muito esclarecedoras. Por exemplo, o neonatologista explicou todo o procedimento que é feito com o bebê assim que é retirado do útero, quais profissionais estariam presentes na hora do parto. Isso deu um grande alívio”, comenta.

Tatiana também recomenda fortemente que outras gestantes façam o curso. “A chegada de um bebê é muito impactante, dá uma sensação enorme de impotência. O curso pode não solucionar todos os problemas, mas dá um norte”, garante.

O que procurar

A obstetriz Maria Augusta recomenda que, ao buscar um curso, as gestantes estejam atentas à formação dos profissionais que vão ministrá-lo, procurando pessoas da área, com formação pertinente aos assuntos desenvolvidos.

“Todos os tópicos são importantes para que a mulher e seu companheiro saiam dessa experiência fortalecidos e acreditando em suas capacidades naturais de serem mãe e pai”, resssalta.

A participação do futuro papai no curso, aliás, também é importantíssima, segundo Maria Augusta. “Além de fazer com que a mãe se sinta mais segura, ele pode dividir com ela as responsabilidades, desde a escolha da maternidade, até a decisão da volta para o trabalho”, ilustra.

Para Mariana, a participação do marido, o também administrador Santiago Correia Nakayama, de 29 anos, foi o ponto alto do negócio.

“Mãe é mãe e, fazendo curso ou não, você vai cuidar do seu filho por puro instinto. Mas o pai demora um pouco mais para entender a paternidade. Eu acho que o curso é fundamental para eles entrarem nesse universo, ouvirem coisas que jamais ouviram, entenderem o parto, o pós-parto, a amamentação, o banho, a saúde emocional da mãe, a depressão pós-parto, ou seja, coisas que podem ou que vão acontecer com um recém-nascido”, exemplifica.

Vale fazer de novo?

Para as mamães e papais que já fizeram o curso e esperam um novo bebê, é bom repetir a dose somente se o primeiro parto aconteceu há muitos anos, se souberem de alguma condição especial do feto que inspire cuidados específicos ou, ainda, se estiverem num segundo casamento e para um dos dois se trata do primeiro filho.

Mesmo depois de fazer o curso, caso a gestante ainda não se sinta ainda preparada para o parto, Maria Augusta recomenda que ela aproveite o pré-natal para esclarecer dúvidas. “A confiança no profissional é importante e fará com que ela se sinta mais preparada”, lembra.

“Conforta, alivia, você ri, você chora e você percebe que não está só, que não é a única naquela situação, que está todo mundo pensando a mesma coisa!”, acrescenta Mariana.

Mas depois de tantos ensinamentos, tem alguma aprendizagem que o curso não pode promover? “Aprender a ser mãe, jamais... Só tendo um filho mesmo!”, brinca Mariana, aos risos.

(Foto: Getty Images)

20 coisas que você não pode deixar de dizer ao seu filho

Minha filha me perguntou, então: "por que ela não gosta mais de mim?". Expliquei que não era isso o que havia acontecido - que elas continuavam amigas, que voltariam a brincar, e que ela também poderia procurar a companhia de tantas outras crianças bacanas de sua classe. Mas me partiu o coração vê-la triste - e esse foi o estopim para que eu começasse a pensar em tudo o que eu gostaria de dizer para que minha filha soubesse um pouco mais sobre a vida.

Porque, no fundo, tudo o que nossos pais nos contam marcam profundamente nossa percepção sobre o mundo. É como se essas frases se tornassem o "grilo falante", aquela voz que nos lembra de onde viemos, qual é o nosso papel no mundo, e, principalmente, o quanto somos amados, nos momentos de dificuldade. Por isso, filha, eu gostaria que você soubesse:

1) Que eu te amo exatamente como você é - e que você não precisa ser diferente para que eu a ame mais, pois isso seria impossível.

2) Que você tem um porto seguro em casa, e que você pode voltar sempre (SEMPRE!) que precisar.

3) Que nem todos os dias da sua vida serão felizes, e que, mesmo assim, está tudo bem. Porque depois de uma fase difícil, sempre haverá um dia com o céu azul.

4) Que tudo bem ficar triste de vez em quando, e que isso acontece com todo mundo (inclusive comigo).

5) Que os seres humanos sentem raiva, e que você também terá esse sentimento. Nesse momento, o melhor remédio é tentar se colocar no lugar do outro, entender seus motivos e perdoá-lo.

6) Que não basta perdoar os outros, é preciso, principalmente, aprender a perdoar as próprias falhas.

7) Que eu escuto quando você fala. Certo, há momentos em que estou doida, fazendo dez coisas ao mesmo tempo, mas se você me der cinco minutos, me organizarei para ouvir apenas o que você tem para me contar.

8) Que você não precisa ter pressa. Leve o tempo que for preciso, mas faça bem feito.

9) Que você é forte - mesmo que pense o contrário.

10) Que eu confio em você.

11) Que tenho orgulho de ser sua mãe.

12) Que nem todas as pessoas de quem você virá a gostar, também gostarão de você. Mas saiba que aquelas que realmente valem a pena te amarão de verdade.

13) Que você pode chorar. É melhor do que guardar a mágoa dentro de você.

14) Que tudo bem pedir ajuda de vez em quando. E que você não é uma pessoa pior, ou mais fraca, por admitir que não consegue fazer sozinha.

15) Que você pode (e deve) mudar de ideia, se perceber que está no caminho errado. 

16) Que você não é perfeita, assim como eu também não sou.

17) Que você pode, um dia, magoar alguém. E que a primeira coisa que você deve fazer é se desculpar.

18) Que você tem valor, e que você não deve deixar que alguém diga o contrário nunca (NUNCA!).

19) Que você é valente - posso ver isso em seu coração. Olhe lá dentro sempre que sentir medo, que você verá isso também.

20) Que estou feliz por você ter nascido. E que você fez minha vida muito melhor!

Fondue de queijo light é opção gostosa e saudável

“O segredo é trocar os queijos amarelos gordurosos por versões mais leves. Os acompanhamentos também podem ficar mais saudáveis. Legumes tostados, pedacinhos de pão integral e cogumelos combinam muito bem com o creme de queijo”, aconselha.

Para quem faz questão de proteína, a dica é acrescentar pedacinhos de peito de peru grelhado. Assim, é possível curtir a estação mais fria do ano sem culpa. Experimente!

(Foto: Ricardo Costabile/ Divulgação)

Ingredientes

Você vai precisar de:

Pão integral light: 4 fatias

Brócolis, rodelas de cebola, cogumelos, cenouras em fatias: a gosto

Alho: 2 dentes picados

Azeite: a gosto

Leite desnatado: 1 xícara (chá)

Farinha de trigo: 1 colher (sobremesa)

Queijo prato light: 2 xícaras (chá)

Cream cheese light: 300 g

Requeijão light: 200 g

Vinho branco: 1 xícara (chá)

Noz-moscada moída: 1 colher (chá)

Sal: a gosto 

Modo de preparo

1:Em uma assadeira, espalhe pedaços de pão e os legumes precozidos de sua preferência. Leve ao forno por 10 minutos, até ficarem levemente tostados. Reserve.

2:Em uma panela, toste o alho picado em um fio de azeite. Quando estiver dourado, acrescente o leite e dissolva a farinha, mexendo sem parar.

3:Em fogo baixo, acrescente o queijo prato, aos poucos.

4:Adicione o cream cheese, o requeijão e o vinho branco.

5 : Tempere com a noz-moscada e o sal, mexendo até obter um creme homogêneo. Sirva acompanhado do pão e dos legumes.

Babymoon, a lua de mel antes do novo bebê chegar

Muito trabalho e horas insones virão com a chegada do novo bebê. Descansar, antes de tudo isso, pode aumentar a cumplicidade do casal e render boas recordações.

Eu escolhi fazer uma pausa de uma semana. Nossa babymoon está marcada para o final do mês, quando completarei 30 semanas, mas a ideia era ter feito essa viagem antes. Com isso, acabamos mudando o destino por conta das semanas avançadas.

Inicialmente, a ideia era fazer uma viagem mais longa e para lugares distantes e, depois de muito pesquisar, preferimos uma viagem mais curta e próxima.

Decidimos por uma semana em Trancoso, na Bahia. A ideia é mesmo relaxar e descansar e não viver uma maratona de passeios e visitas a lojas e museus nessa altura do campeonato em que a barriga já está começando a pesar!

Aliás, destinos paradisíacos são perfeitos para uma babymoon! Mas nada impede unir útil ao agradável e escolher lugares onde pode-se aproveitar para fazer o enxoval do bebê, por exemplo.

Reuni algumas dicas durante minhas pesquisas para auxiliar quem também quer ter momentos de descanso antes da chegada do bebê.

Grávidas X aviões
Gestantes podem voar tranquilamente, desde que estejam em boas condições de saúde. Conversei com minha médica antes e tenho um atestado de que está tudo ok. Ela indicou o uso de uma meia-calça de compressão para evitar varizes durante o voo, mesmo que seja curto. Dê preferência para os destinos com poucas horas de voo. Já é difícil para qualquer um passar muitas horas em aeronaves, imagine para nós, grávidas!

Minha médica me recomendou o uso de meias de compressão durante os voos para evitar varizes e coágulos. É uma precaução e não custa nada seguir a recomendação! Também informe-se na companhia aéra sobre as condições para o embarque! Há empresas que pedem os atestados para gestantes com gravidez mais avançada por causa de risco de prematuros e só permitem o embarque após 36 semanas com a presença de um médico.

A escolha do destino
Escolha o destino ideal, dependendo da sua idade gestacional. Se eu tivesse optado por essa viagem antes teria aproveitado para fazer o enxoval da baby fora, por exemplo. Como só conseguimos uma folga agora, a melhor opção foi escolher um destino mais tranquilo, pois a barriga já está grande e eu já não tenho a mesmo agilidade do ínicio. Além disso, nesse momento, já tenho quase tudo preparado e não valeria a pena o desgaste.

Relaxe
Aproveite para descansar e relaxar muito. Ter toda a atenção voltada para o seu companheiro pode fortalecer muito a relação nesse momento tão mágico e, ao mesmo tempo, turbulento!


Quando mãe e filha são amigas demais

A psicóloga, psicoterapeuta e psicodramatista Cecília Zylberstajn é categórica: há mais contras do que prós quando há excesso de confidências.

O mais saudável é manter o modelo de mãe-companheira, ou seja, aquela parceira, que apoia, se preocupa e acompanha de perto a vida da menina, participa de decisões, porém, reafirma sua autoridade.

“A amizade é uma relação simétrica e não hierárquica. Uma amiga não dá bronca na outra, não repreende. E aí está o perigo. A mãe não consegue cumprir seu papel”, argumenta.

Na casa da professora Anna Carolina da Rocha Geraldo Gimenez sempre existiu muita transparência com a filha Manuela, agora com 18 anos. Mesmo assim, existem regras que precisam ser seguidas, como prioridade para os estudos e horários para chegar em casa.

“Acho importante explicar sobre as coisas do mundo e do coração, saber o que ela pensa. Falo abertamente sobre qualquer assunto. O lado bom é que consigo orientá-la e acredito que a relação aberta é o melhor caminho para que tenha verdadeiros valores, como respeito, amor ao próximo, responsabilidade, dignidade e honestidade”, diz.

A contadora Rosangela Martins da Silva se baseou na própria história de vida para mudar o roteiro com a filha Ana Carolina, de 14 anos. “Minha mãe era uma pessoa fechada, que não participava, e eu acabei cometendo erros que não eram necessários. Optei por ser próxima da minha filha porque não tive isso”, afirma, ao comentar a confiança mútua e a facilidade com que a menina pede seus conselhos.

Alerta vermelho

A filha tem todo o direito de compartilhar experiências com a mãe, porém, o contrário pode gerar uma relação irreal. “A mãe tem que exercer o papel de cuidadora. Usar a filha como confidente pode se tornar abusivo”, relata Cecília.

Por exemplo, a menina pode contar sobre sua vida sexual para que a mãe aconselhe e a leve ao ginecologista, mas a mãe não pode simplesmente ser uma “ouvinte amiga”. Quando a hierarquia não fica clara, a adolescente pode se sentir abandonada, sem cuidados.

Outro problema sério apontado pela psicóloga são mães que usam a filha como suporte emocional, em especial quando não são casadas ou são divorciadas. Há casos em que ela quer dividir a mesma cama com a menina ou acha válido sair no mesmo grupo de amigos.

“Isso gera ansiedade e sensação de responsabilidade à menina, com papéis invertidos. Filhos não têm que cuidar de pais”, enfatiza.

Aliás, envolver-se demais com a turma de amigos adolescentes pode resultar em negligência. Não são raros os casos em que a menina exagera na bebida e a mãe não toma providências por acreditar que isso faz parte da vida.

E é exatamente nesse ponto que a professora Anna Carolina coloca em prática seu lado cuidadora. “Quando acontece de exagerar na bebida, converso muito, muito, muito”, diz.

Nem pra mim, nem pra ela

Na adolescência, é natural que a filha queira se distanciar da mãe para criar sua própria personalidade. E, segundo a psicóloga, as meninas emitem sinais que podem guiar as atitudes da progenitora. 

“A adolescente pode se fechar mais, costuma ser muito crítica, briga e fica brava com a mãe. Nesse momento, é hora de pensar: ‘Será que estou respeitando o limite a minha filha? Será que estou enxergando as necessidades dela?’”, pondera.

Embora Rosangela e Ana Carolina tenham estabelecido uma relação de parceria, nem sempre a paz reina entre as duas. “Às vezes tenho que dizer: ‘Calma ai mocinha, sou sua mãe, não se esqueça não’”, conta Rosangela.

Vivendo em paz

Antes que a relação entre em pé de guerra, é importante conversar francamente sobre limites, horários e responsabilidades, ouvindo as ponderações da adolescente. Dessa forma, fica mais fácil chegar a um consenso.

A psicóloga explica que regras impostas dificilmente dão certo. Já quando são formuladas em comum acordo, ficam mais fáceis de serem cumpridas. Se a menina não obedecer, saberá que está quebrando esse acordo.

Nesse quesito, Rosangela e Ana Carolina se entendem bem: “As regras são claras. Quando ela me questiona, explico meu ponto de vista e, na maioria das vezes, ela acata. Porém, tem liberdade para falar quando se sente injustiçada ou quando não gosta de algo”, completa a contadora.

Se você sente frio na barriga só de pensar na adolescência da sua filha, saiba que pode traçar um futuro mais calmo entre vocês duas – ou mesmo mudar o presente.

Estudos indicam que quanto mais refeições de qualidade forem realizadas em família – isto é, sem interferência de televisão, tablets, celulares etc – melhor é o relacionamento entre pais e filhos e, consequentemente, mais próximos eles serão. Fica a dica!

O que a criança aprende viajando

O que a criança aprende viajando

Sempre digo que a importância das viagens, seja para uma praia vizinha ou um país exótico na Ásia, proporcionam momentos únicos em família. 

Longe da rotina, da correria do dia a dia, do estresse de cobrar a lição, mandar escovar os dentes ou arrumar o quarto, temos a oportunidade de ouvir nossos filhos, conversar sem pressa, dar uma atenção que nem sempre é possível quando estamos em casa. 

E não precisamos ir longe. Um simples final de semana nos arredores da cidade onde moramos já é o suficiente!

Vou contar alguns exemplos de conversas simples, acontecimentos pequenos que trouxeram diálogos de grande importância. Isso poderia ter acontecido em casa, na nossa cidade? Com certeza! Mas nas viagens, acabam tendo um gostinho especial.  

Paciência: não é raro ficarmos parado em congestionamentos enormes nas estradas ou horas esperando um voo atrasado. Que tal aproveitar esse momento para conversar sobre “saber esperar”? 

Respeito: em nossa primeira viagem para Nova York, a Marina não dormia há três dias, de tanta ansiedade. Na hora do embarque, soubemos que nosso voo tinha sido cancelado por problemas técnicos e sairia apenas no dia seguinte. Muitos passageiros ficaram bastante revoltados e agrediram verbalmente as atendentes da companhia aérea. Aproveitemos esse momento para explicar que as funcionárias estavam fazendo o seu trabalho e que ofendê-las não resolveria o problema. 

Diversidade: a primeira vez que a Olivia viu dois homens se beijando foi em San Francisco, na Califórnia. Ela ficou curiosa e aproveitei a oportunidade para falar sobre diversidade e contar como aquela cidade tinha sido importante na luta pelo direito à liberdade de expressarmos nossas escolhas. Contamos como era antigamente e como, graças a pessoas muito corajosas, o mundo estava mudando para melhor nestas questões. 

Cidadania: quando estamos dentro do carro, aproveitamos para ensinar que não se deve jogar nada pela janela, chamamos a atenção para atitudes de motoristas imprudentes e explicamos que consequência aquela ação pode gerar. Falamos sobre o motivo das leis de trânsito existirem e por que devem ser respeitadas. 

Valorização: viajar é bom demais, mas voltar para casa é melhor ainda. Quando estamos longe, aproveitamos para falar de como somos felizes na nossa casa, com a família que temos, com os amigos que estão ao nosso redor. Sentir saudades da cama, da escola e até dos brinquedos faz com que elas valorizem mais o seu próprio lar. 

Viagens da Fer


O vaivém dos nomes

Basta dar uma olhada na maternidade para notar que alguns nomes de bebês estão em alta. Outros, no entanto, se tornaram ultrapassados, e foram deixados de lado pelos novos papais. Mas o que será que interfere nesta tendência?

Segundo Natália Zaninetti Macedo, mestre em Linguística pela Unesp e coordenadora de um estudo realizado em São Carlos, para investigar as possíveis motivações que levam os pais a optarem por determinados nomes, as escolhas se baseiam, principalmente, em três fatores:

  1. homenagem a algum personagem, artista, jogador, parente ou amigo
  2. sonoridade
  3. religião

“As motivações religiosas também interferem bastante, levando a optar por nomes bíblicos”, conta.

E é justamente pela oscilação das personalidades, que ora fazem sucesso, ora somem dos holofotes, que certos nomes se tornam comuns e outros, ultrapassados.

Uma atriz ou cantora do momento provavelmente terá seu nome usado para registrar as recém-nascidas. Mas daqui a alguns anos, talvez seja esquecida, e aí, o nome já era.

A analista de sistemas Luciana Coutinho, 45 anos, engravidou em 1997, na época em que a novela “Por Amor” estava no ar. “Eu adorava a personagem Maria Eduarda, interpretada pela atriz Gabriela Duarte e, por isso, escolhi esse nome para minha filha”, conta.

Já a coordenadora de vendas Michele Azevedo, 38 anos, elegeu o nome Lucas, para seu filho, porque ele nasceu no dia de São Lucas. “Outros fatores também influenciaram na escolha: eu e meu marido queríamos um nome curto, e que não existisse na versão feminina”, completa.

Veja os nomes que são tendências e os que saíram da moda e entenda o por quê desta oscilação:

Saíram de cena:

  • Luciana: foi um nome comum nos anos 70, por causa da música "Cantiga por Luciana", interpretada por Evinha
  • Sandra: foi tendência no final da década de 80, graças à música “Sandra Rosa Madalena", de Sidney Magal
  • Valerie: o nome se tornou moda em 2007 graças à música do mesmo nome, primeiro cantada por  Amy Winehouse e depois, tornou-se popular no seriado "Glee"
  • Silvio: sucesso na década de 70, por causa do apresentador Silvio Santos
  • Ademir: nome do grande jogador de futebol na década de 50, foi copiado por muitos pais daquela época
  • Jéssica: inspirou a escolha do nome de muitas garotinhas na década de 90, devido ao sucesso da música do grupo Fundo de Quintal

Voltaram à moda:

  • Miguel: seu retorno pode ser explicado por uma questão religiosa, por causa de São Miguel Arcanjo
  • Davi: ressurgiu por causa do carisma do zagueiro Davi Luiz
  • Isabella: reapareceu graças à personagem principal da saga Crepúsculo
  • Ana: voltou por conta do sucesso da princesa Anna, do filme “Frozen – Uma Aventura Congelante”
  • Francisco: maior adoção do nome é decorrente do carisma do papa Francisco
  • Bento: também voltou por causa do papa Bento XVI
  • Heitor e Arthur: houve um crescimento na tendência por nomes épicos, ou seja, aqueles inspirados em nomes de reis e heróis
  • Catarina, Helena e Sophia:também são associados a rainhas e heroínas, em alta no momento

Em busca do equilíbrio entre o “sim” e o “não”

Em busca do equilíbrio entre o “sim” e o “não”

Dizer “não” para uma criança nem sempre é fácil. Mas, verdade seja dita, às vezes é o caminho mais curto para resolver alguma situação. Na outra ponta da corda, o “sim” aparece no mesmo contexto: ora é prático, ora é doloroso para quem o diz.

E é dessa maneira que as mães seguem dia após dia tentando balancear pesos e medidas quando precisam dizer essas palavrinhas tão pequenas, mas tão poderosas, capazes de influenciar o comportamento do filho numa vida adulta.

Aí vem a pergunta óbvia: por que é tão difícil encontrar esse equilíbrio?

Alguns autores falam em choque de gerações, mas a psicóloga Renata Magliocca, especialista em psicologia positiva, prefere o termo “encontro”.

É que os pais nasceram e cresceram em contextos socioeconômicos muito diferentes dos seus filhos: o mundo era outro, as necessidades, os desejos, a economia, as carreiras etc.  Essa diferença de contexto gera muitas inseguranças e dúvidas sobre o melhor jeito de agir e educar os filhos.

“Se os pais reproduzem o jeito como foram educados, fica a sensação de que estão fora de contexto, desatualizados ou que aquelas respostas não dão o mesmo efeito como antes. E não dão mesmo”, afirma Renata.

Por isso, os momentos do “sim” e “não” talvez sejam os que mais expõem essas mudanças e as inseguranças da maioria dos pais, desde como dar afeto, mostrar que o filho é amado, até oferecer limites, sem mimar ou, ainda, ensinar como vencer frustrações, falhas, erros, entre tantos outros percalços.

“Para vencer isso, os pais precisam ter claro quais são os valores que querem passar para seus filhos; o que é, na opinião deles, fundamental e o que não é tão relevante assim. Serão esses os contornos que darão a referência do momento certo de dizer ‘sim’ ou ‘não’”, defende a psicóloga Renata Magliocca.

Vale lembrar que esse é um exercício diário. Os pais precisam estar abertos a constantemente analisarem os impactos das suas ações em cada um dos filhos (porque cada um deles tem sua individualidade e reagirá de um jeito).

Também devem se questionar se estão no caminho que reforçam positivamente os valores em que acreditam e – bem importante – não esquecer que errar e falhar farão parte desse aprendizado constante.

Onde mora a dificuldade

Para a psicopedagoga Maíra Scombatti, a dificuldade dos pais em encontrarem o momento certo de dizer "sim" e "não" acontece quando ainda não se tem clareza do limite real do momento.

“Não temos dúvida em dizer ‘não’ quando uma criança tem o impulso de atravessar uma rua movimentada, assim como não temos dúvidas em dizer ‘sim’ quando nossos filhos nos pedem um copo de água quando estão com sede. Geralmente, quando temos dúvida, é porque o limite não é verdadeiramente importante. Nem todos os limites têm a mesma importância. E isso varia para cada família”, afirma.

Ter consciência dos limites (de integridade física, de convivência etc), identificar quais têm verdadeira importância em cada contexto, permitir-se questionar quando é possível e perceber as reais necessidades de cada momento podem ajudar a encontrar o equilíbrio nessa relação com os filhos.

Limites: como ensiná-los?

Antes de ensinar limites, é preciso que os pais tenham clareza sobre as seguintes perguntas:

  • O que valorizamos como família?
  • Quais comportamentos esperamos dar como exemplo para os filhos?
  • Que atitudes esperamos que eles tenham quando forem adultos?
  • Quais são os sinais e ações que esperamos ver e que nos trarão a confiança de que estamos no caminho certo?

Sem essas respostas, os limites ficarão muito confusos, dificultando que os filhos entendam a importância deles. “Essa inconstância gera dúvidas na criança, que também acaba confusa sobre qual comportamento é esperado dela naquela situação”, observa Renata.

É preciso ressaltar a importância do exemplo: os filhos aprenderão (verdadeiramente) o que é “sim” ou que é “não” ao identificarem nos seus pais e educadores determinados comportamentos.

Por exemplo, se você quer ensinar seu filho a ser educado com todos, então, pergunte-se: “Eu sou educada com todos?”, “O que eu faço que me traz a certeza de que sou?”, “O que eu gostaria de fazer?”. E colocar essas atitudes em prática.

Assim, os filhos vão compreendendo os limites daquela família, daquele contexto sem muita necessidade de cobrança ou imposição.

Avaliando o equilíbrio

Segundo a psicóloga Carla Zuquetto, terapeuta analítico-comportamental, um jeito de os pais descobrirem se estão no caminho certo é observar o desenvolvimento da criança. E aí não tem jeito: é estudar um pouco de desenvolvimento, dos marcos, saber o que esperar em cada fase.

“A gente não espera que um bebê de 7 meses saia correndo pela sala, nem que uma criança de 2 anos leia. Da mesma forma, não pode esperar determinados comportamentos antes da criança estar pronta para eles”, afirma. Ou seja, os limites têm que estar dentro desse intervalo: do que a criança pode fazer, do que ela consegue fazer.

Para quem busca dicas práticas, Carla Zuquetto indica algumas:

  • Esteja atenta ao seu filho e ao ambiente que o cerca e policie o seu próprio comportamento.
  • Tenha clareza dos limites que você quer colocar para os seus filhos e saiba os motivos desses limites.
  • Pense se esses limites são palpáveis para a idade da criança. Se não forem, em quais seriam os limites palpáveis e como chegar neles (fazer uma escala de limites).
  • Esteja sempre em acordo com o parceiro. Se um diz “não”, o outro deve confirmar.
  • Os limites devem ser consistentes, sem exceções às regras.

Palavra de mãe

Yara Tropea, jornalista, é mãe de Pedro (8 anos) e Luiza (2 anos) e, na maioria das vezes, não sente dificuldade em encontrar o momento certo de dizer "sim" e "não" para os filhos. Na verdade, ela tenta não criar “nãos”.

“Minha meta é dizer ‘sim’. Se vem um ‘não’ é porque não pode mesmo. E, às vezes, digo ‘sim’, mas quando eles vão colocar em prática aquilo que autorizei e percebo que foi uma péssima ideia, digo ‘não’ e explico o porquê dentro do entendimento deles”, comenta.

Mas nem sempre foi assim. Quando Pedro era pequeno, Yara tinha uma necessidade muito grande de obediência. “Achava que obediência e respeito eram a mesma coisa. Então, não aceitava que ele não fizesse o que eu estava dizendo para ele fazer. Naquela época, acho que eu dizia mais ‘nãos’, pois me respeitar era ele parar assim que eu dissesse ‘para!’”, conta.

Com o tempo, foi percebendo que tinha pouco a ver com respeito e mais a ver com o que ele podia dar com o pouco repertório que tinha. “Quanto mais eu me colocava na pele dele, mais eu conseguia equilibrar”, explica.

Para a advogada Ana Paula Consolino, mãe de Vittorio (8 anos), Giovanni (6 anos) e Giulia (4 anos), impor limites é difícil. “De tudo que se fala sobre filhos, acho que esse ponto é um dos mais complicados”, avalia.

Segundo ela, nos momentos em que um de seus filhos tenta se impor e testar seu próprio limite é que, muitas vezes, se sente incapaz. “Eu me questiono, me culpo tentando buscar explicação para aquilo. Ser ‘autoridade’ sem ser autoritária é extremamente complicado, mas é necessário”, avalia.

Para Ana Paula, é possível dizer “não” de um lado com um “sim” de outro. “Se é hora de trocar de roupa para sair, não vai esperar mais, pois está na hora. Mas a escolha da roupa pode ser da criança”, exemplifica.

Essas pequenas doses diárias e contínuas de equilíbrio são um exercício e sinônimo de paciência. “Sem dúvida haverá dias em que nós vamos nos colocar em conflito, a culpa aparecerá e a sensação de não saber se estamos no caminho certo, também, mas temos dentro de nós nossos próprios limites, nossos próprios conceitos e sabemos o que queremos para a construção dos nossos filhos: essa é a base”, acredita a advogada.


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